Diante uma
folha em branco o escritor reflete sobre como expressar-se, expressar-se em
forma de arte, expressar o que sente ou o que finge sentir como diria Fernando
Pessoa, mas será que na vida também é assim, será que sabemos nos expressar da
forma exata de como nos sentimos assim como quando crianças? Será que
fomos educados para isso? Ou apenas fingimos?
Nossa educação
há muito tempo procura novidades em teorias pedagógicas, e aí surgiram inúmeras
pedagogias de boteco, além de uma grande atração por novas tecnologias e
ferramentas que possam garantir uma “boa” educação, educação essa “ligada” em
novidades das redes sociais, uma “educação interada”... Mas será essa “boa”
educação uma educação de qualidade?
Infelizmente encontramos
adultos que já não sabem expressar-se, o medo de mostrar seu sentimento é
tanto que acabam afastando grandes oportunidades, e às vezes é apenas uma
questão de insegurança... Será que fomos educados para sermos seguros? Por que quando
criança somos os “Reis da Rua” em nossas brincadeiras, mas quando crescemos
perdemos tudo isso?
A vida e
apenas ela será responsável por responder as questões acima, porém será que
fomos educados para a vida?
Estes questionamentos
teem como objetivo nos fazer refletir quanto ao nosso papel na sociedade, como
educadores ou mesmo apenas interessados na educação, no desenvolvimento de
nossos filhos, sobrinhos, amigos... Alguém uma vez me disse que “não devemos
pensar no mundo que deixaremos para nossas crianças, mas nas crianças que
deixaremos para o mundo”. Crianças essas que estão na escola, sob nossa
responsabilidade, que estão apenas a nos observar nas ruas, nas lanchonetes, no
trânsito, nos transportes públicos ou em consultórios médicos, ou seja, a todo
instante qualquer um que esteja lendo este texto fará o papel de educador,
aquele que educa inconsciente, mas também educa, e lembre-se apenas um gesto
basta para uma criança em “formação”, apenas um gesto ou a falta dele basta,
para qualquer um!
Não fomos
educados a nos expressar, por isso tantas brigas familiares, bullying,
discussões no trânsito... Fomos educados a sobreviver e em um mundo que “finge
ser capitalista”, assim como o poeta "finge sua dor", a lei da sobrevivência nos
ensinou a ganhar no grito, na briga... No tapa... não é assim que dizemos aos
filhos “vou te dar uns tapas para aprender!”.
Sejamos
reflexivos...
Podem me chamar de exagerada, mas sim, é necessário hoje aprendermos a educar nossas crianças
para a vida, pois é necessário que elas sejam diferentes, que saibam sentir,
que saibam brincar, que saibam e possam expressar-se mesmo quando crescerem para que
sejam adultos diferentes de nós, que sejam mais seguros, que não percam
oportunidades... Que não se percam no meio da multidão!
Sejamos então múltiplos...
Passaremos a pensar antes de agir, aprenderemos a nos expressar assim como quando
crianças, aprenderemos também com as crianças e só então não perderemos nossa essência, só assim não perderemos
nossa vida esperando uma melhor oportunidade para falar “eu te amo", "eu não quero”... só assim
não nos perderemos diante nossos medos e só assim não perderemos nossas crianças.
Veronica Luzia.
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