“ Inicialmente quero agradecer, em nome de todas as colaboradoras deste blog, à Camila Marques, mãe de Luíza; quem nos permitiu publicar as fotos que ilustrarão este e muitos outros textos: obrigada Mamãe Coruja!”
É comum certa frustração no início do trabalho com crianças de 06 a 18 meses, contudo, sendo capaz de verificar as mais diversas e variadas estratégias de estudo, traçando objetivos e aproveitando a observação para elaborar atividades que venham ao encontro do que se espera desenvolver em seus alunos, o trabalho é árduo, mas muito gratificante.
E neste texto comentaremos ilustrações da evolução de uma aluna que demorou para adaptar-se à rotina da creche, contudo, depois de muito choro “ da mãe, da filha e da avó”, hoje é possível observar mudanças no comportamento que demonstram quanto importante foi a insistência das partes neste processo longo, difícil e extremamente necessário.

Esta foto registra um dos primeiros sorrisos de Luíza na creche. (2011)
Passado aproximadamente uma ano, veremos o resultado da experiência “BB que lê” , (texto disponível neste blog).
Pautando-me no fato de que propiciar momentos de contato com livros adequados à faixa etária: livros de banho, emborrachados, de tecido, ou seja, resistentes ao contato; às mordidas e falta de jeito que os pequenos têm neste primeiro contato com o mundo escrito. É imprescindível na construção do hábito da leitura.
Para Fraulein, em http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/alfabetizacao-inicial/fraldas-livros-423723.shtml :
“ Manuseando livros eles são capazes de identificar a existência da grafia e passam a estabelecer uma relação direta com a linguagem escrita”.
E há quem diga que em creche os problemas a que devemos nos preocupar estão relacionados à materiais que foram trocados na mochila, à falta de canecas ou mamadeiras, à textura e aparência das fezes, assim como o relatório da quantidade de colheradas ingeridas por dia.
Como lidamos com crianças pequenas e muitas não falam, não podemos realmente deixar que arrumem seus pertences sozinhos, tão pouco ignorar o fato de que estão com desconforto intestinal, falta de apetite ou choro constante. O que temos bem claro e àqueles que participam indiretamente da organização e coordenação do cotidiano escolar também devem ter é que: PROFESSORA É PROFESSORA SEJA QUAL FOR A FAIXA ETÁRIA DE SEUS ALUNOS E O QUE MUDA SÃO OS DESAFIOS, NÃO A RESPONSABILIDADE DO ATO.
Luíza hoje… depois de muito choro…(17/05/2012)
Considero creche local para gente grande, gente que pensa grande, que ultrapassou o passado em que alunos eram alunos apenas por estarem enfileirados, rigorosamente uniformizados, calados… Caminhos suave nas mãos, boca fechada e lápis bem apontado!!!
O professor que lida com crianças de 0 a 03 anos (idade de creche) precisa acima de tudo estar bem informado e interagir com seu aluno, adaptar-se também ao mundo da criança que por muitas vezes nos desafia. O desafio da creche amendronta a muitos e por isso dizem: “Creche? Credo!!!! Estudei demais para trocar fraldas… Não me vejo no meio daquelas crianças… O que farei com elas? Qual será a pauta de meus relatórios? Canequinhas? Mordidas? “
Tenho o prazer em responder:
SE EM NOSSA LEGISLAÇÃO A EDUCAÇÃO INFANTIL COMPREENDE AS IDADES DE 0 A 5 ANOS, SAIA DE SUA ZONA DE CONFORTO, DEIXE DE DAR ORDENS À SEUS ALUNOS E APRENDA A SER PROFESSORA, A REPENSAR SUA PRÁTICA!
Por Freire:
“O processo de ensinar, que implica o de educar e vice-versa, envolve “a paixão de conhecer” que nos insere numa busca prazerosa, ainda que nada fácil. Por isso é que uma das razões da necessidade da ousadia de quem se quer fazer professora, educadora, é a disposição pela briga justa, lúcida, em defesa de seus direitos como no sentido da criação de conceições para a alegria na escola(…)”

Luíza adora manusear os livros é visível em seu sorriso que esta é uma atividade prazerosa!!!
Senta-se e ajeita-se para começar a leitura…

É importante a apresentação de livros que além de material resistente, permitam e proporcionem interação. Afinal de contas a leitura visual e sonora é importante, visto que ainda não estão alfabetizados.


Interage imitando sons dos animais, aponta partes do corpo, explora cada uma das páginas saboreando a “leitura”.
Este momento é prazeroso não apenas à aluna, mas também e imensamente à professora, visto que a aproximação pode acontecer. Logo, estando no colo, desenvolve a atividade, é acolhida e aconchegada.
Infelizmente são 15 alunos e 3 professoras. Apesar de diversas vezes desejarmos vários braços como os “polvos” para abraçar e acarinhar a todos é humanamente impossível, desta forma, a roda da leitura facilita a aproximação de todos e o jeito é revezar o “colinho”.

Luíza ainda chora… mas nada que um “chameguinho” não resolva!