terça-feira, 29 de maio de 2012

sEr EsPEciAl...



Incrivelmente por algum tempo ouvi e ainda ouço em muitas de nossas escolas expressões como “Ele é especial, precisamos ajudá-lo... tadinho!”. Por muitas vezes este, entre outros comentários, sobre crianças com “Necessidades Especiais” me deixaram no mínimo pensativa... “Minha mãe sempre disse que eu era Especial”, será então que também tenho alguma doença ou síndrome???
Por mais que pareça engraçado, não é... Aprendi que todos somos ESPECIAIS, independente de nossa condição física, mental... Todos somos humanos e temos Necessidades Especiais, exatamente porque somos DIFERENTES. É importante que possamos trabalhar isso também em nossas escolas... Talvez o termo melhor seja “crianças com Necessidades Educativas Especiais”, mas não é isso que importa, o importante é sabermos que todos somo seres humanos, com desejos, sonhos e Necessidades Especiais.
Mas a história não acaba por aí, ainda ouvimos em nossas escolas comentários como: “Eu tenho 24 alunos e mais 2 de inclusão!” Muita calma nesta hora, espero que esta não seja a fala de um professor de matemática, pois não sabe fazer uma conta simples? "VOCÊ TEM 26 ALUNOS, SIIIIIM... VINTE E SEIS ALUNOS!!!" É o que tenho vontade de gritar...
Esta fala, bastante comum, sempre me faz arrepiar... Como falamos de inclusão, bullying se o próprio professor discrimina seus alunos???
A violência na escola está a cada dia mais presente, mais explorada e esquecemos que esta “educação” não vem apenas de casa. O que nós enquanto professores, gestores, políticos estamos fazendo para mudar? Apenas explorar ainda mais esta violência em reportagens de TV não é o suficiente, precisamos agir, precisamos tornarmos MÚLTIPLOS.
Nossa Educação deve passar sim por reformas, mudanças, porém não apenas políticas, mas principalmente de consciência de seus agentes... Lembrando que TODOS somos agentes na hora de educar... Educamos com nossos exemplos, com nossos discursos, e SIM também somos os principais responsáveis pelas grandes tragédias na Educação, por isso, mais uma vez...
SEJAMOS REALMENTE MÚLTIPLOS!!!!
Múltiplos de bons exemplos práticos e não apenas de discursos, sejamos múltiplos de uma boa educação não uma educação para vestibular e segregação, mas uma educação de qualidade, educação para formar cidadãos de respeito e consciência, que estes possam mudar aquilo que não conseguimos, ao menos que possam fazer mais do que já fizemos hoje, pelo menos que saibam votar... Acho que na verdade esperamos formar alguém em quem possamos votar nas eleições do futuro...


Ao final deste tempo de “in-formação” esperamos com este blog e materiais aqui expostos fazer você leitor, ao menos pensar um pouquinho, talvez juntos possamos espalhar novos conceitos para a educação e fazer alguma diferença, mesmo que para você seja uma simples sementinha, quem sabe amanhã ou depois aguardaremos os frutos, e seremos deleitados por estes???!!! Não vale a pena tentarmos??!!!

Educação Inclusiva e algumas considerações...


A educação com o passar dos anos sofreu grandes modificações, principalmente devido as políticas públicas que a envolviam, por anos fomos reprodutores de uma necessidade mercantilista, onde as Leis que fundamentavam a Educação restringia o ensino para o oferecimento direto de mão-de-obra, esta em grande quantidade e de pouca qualidade, já que esperavam daqueles que se formavam a reprodução apenas de conhecimentos fragmentados, apenas necessários para o desenvolvimento de seu futuro emprego.
Art. 22. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores (Lei nº 9.394/96).

Diante necessidades reais de considerarmos a evolução do homem e sua capacidade de interação diante a multiplicidade de características entre os indivíduos, novas proposta internacionais surgiram, permitindo que o governo rendesse suas necessidades as reais necessidades dos educandos.

Nós, os delegados da Conferência Mundial de Educação Especial, representando 88 governos e 25 organizações internacionais em assembléia aqui em Salamanca, Espanha, entre 7 e 10 de junho de 1994, reafirmamos o nosso compromisso para com a Educação para Todos, reconhecendo a necessidade e urgência do providenciamento de educação para as crianças, jovens e adultos com necessidades educacionais especiais dentro do sistema regular de ensino e re-endossamos a Estrutura de Ação em Educação Especial, em que, pelo espírito de cujas provisões e recomendações governo e organizações sejam guiados (1994, Declaração de Salamanca).

Tal proposta exigia, e muito, das competências e conhecimentos de gestores e professores, responsáveis para sua efetiva realização. Assim o papel do supervisor Educacional, por exemplo,  que por muito tempo restringiu-se a burocracias, hoje fundamenta-se não apenas nestas, mas também na organização, planejamento e execução da Proposta Político-Pedagógica das Redes de Ensino.
A construção e desenvolvimento do Projeto Político-Pedagógico exigirá total envolvimento de toda comunidade escolar para garantia de uma educação de fato inclusiva, onde os profissionais, pais e outros responsáveis pela Educação destas pessoas devam estar cientes e manterem objetivos comuns de oferecimento de uma educação para a vida, não mais uma educação mercantilista, mas uma Educação que respeite as especificidades dos educandos e que o auxilie em sua inserção na sociedade como um cidadão ciente de seus deveres e direitos, possibilitando ainda que este possa mudar a atual realidade de uma sociedade de pensamentos dúbios quanto aos objetivos da educação.

A proposta inclusiva deve ser entendida como um processo que não se reduz a inserção deste ou daquele aluno em classe regular [muitas vezes a revelia do professor!]. Inclusão é processo, não ocorre por decretos ou modismo (EDLER, p.160, 2009).

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Reflexão: O direito de ser, sendo diferente, na escola.

Incluir não significa apenas inserir um aluno com necessidades especiais dentro do âmbito escolar e simplesmente aceita-lo naquele ambiente, incluir, é dar condições necessárias, suporte pedagógico, compreensão,  sem contar que deve haver ensino de qualidade para que esse aluno desenvolva suas potencialidades seja ela motora, cognitiva ou sócio- afetivo.
Talvez por falta de interesse dos órgãos competentes na área da educação muitos alunos por falta de laudos competentes estão sendo incluídos no ensino regular  sem o conhecimento necessário de professores, pais e especialistas, e  assim os priva da qualidade de uma alternativa educacional includente e as escolas pouco inovam para uma mudança na organização pedagógica.
É evidente que o modelo educacional mostra sinais de esgotamento, e é preciso aproveitar esse vazio de idéias que acompanha a crise dos velhos paradigmas para surgir um momento de transformações, enxergar o que se passa ao nosso redor anulando as diferenças e que para aprender e ensinar há diversas maneiras de se expressar, para isso é fundamental que os sistemas escolares acabem com a categorização de iguais/ diferentes, mesmo porque criar “rótulos” diante das diferenças “é o que o outro é” e dizer em tolerância, generosidade torna-se uma certa superioridade de quem “tolera”, precisamos na realidade trocar experiências com as diferenças e enxergar suas riquezas, porque o aluno especial não é um “outro sujeito”.
Dentro destas transformações há que se discutir a respeito  do que significa integração e  inclusão. Quanto a integração, esta está mais relacionada a inserção escolar de alunos com deficiência nas escolas comuns e o acesso as salas de aula do ensino regular ou ensino em escolas especiais. Já a inclusão vem em contrapartida com a integração pois esta é mais radical, completa e sistemática, assim dizendo, todos os alunos sem exceções devem frequentar as salas de aula do ensino regular, para isso é evidente que precisamos reciclar os planos de educação e volta-las para uma cidadania mais global e livre de preconceitos.

A Consituição brasileira de 1988  garante o direito à igualdade e promove o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outra forma de discriminação, ou seja a nossa constituição é um marco na defesa da inclusão escolar, porém ainda há muito que se trabalhar para reverter a situação de fracasso pelas nossas escolas com a evasão escolar.







                                      Fonte:http://saberesefazeresnaeducacao.blogspot.com.br/2011/06/criancas-que-apresentam-necessidades.html




  
Referência bibliográfica:
Artigo de Maria Teresa Eglér Mantoan, “
O direito de ser, sendo diferente, na escola”