E
assim tudo começa...
Há
tempos creches de todo Brasil já estão equipadas com profissionais
qualificados, seja pela política local ou pelos benefícios que a formação possa
trazer. Certo é que são poucos os lugares onde crianças entre 0 e 3 anos são
atendidas apenas por pessoas sem formação.
Porém,
muito se fala sobre o papel destes profissionais: educar, cuidar? – Sim! As
duas coisas... Educamos, pois estamos numa escola e o papel de todo professor é
desenvolver o cognitivo progressivamente e não há maneiras de dissociação entre
o social e o educacional; ambos conceitos estão unificados. O professor deve
preocupar-se com a integridade das tarefas e esquecer a integridade do aluno?
Social e educacional: indissociável.
Berçário
é local de crianças de 0 a 2 anos (aproximadamente), tendo como base a educação
municipal.
Sendo
uma classe formada por 12 crianças e 4 pedagogas é comum pensar que entre o
indissociável haja livros, literatura.
Bebês
com 6 meses podem manusear livros? Quanto tempo o material durará?
São
apenas duas das infinitas perguntas que ao longo da carreira me fiz e ouvi
colegas de trabalho fazendo, sobretudo, por professoras que estavam trabalhando
pela primeira vez em berçários: “o que vou dar à essas crianças?”; “quais atividades
elas conseguirão fazer?”, “ o que apresento aos pais no dia da reunião?”
|O
modelo de educação está vinculado a atividades registradas em folhas, guardadas
numa pasta ou expostas na parede, porém, é assim que devemos trabalhar no
berçário mesmo entendendo que muito maior que a ânsia de “aprender a ler e
escrever” está a necessidade de romper barreiras e estabelecer vínculos?
Falo
berçário, porem, devo ser direta às crianças de 0 a 2 anos aproximadamente,
pois aos 3 anos já é comum a comunicação verbal. Não formando frases complexas,
mas a história oralizada pela professora
já faz parte da rotina.
Então,
como trabalhar com livros numa turma que ainda não tem maturidade para ouvir e
compreender histórias, mesmo as mais simples?
Parto
do ponto em que quando iniciaram sua vida escolar muitas nunca tinham ficado
tanto tempo longe de suas famílias, algumas ainda sugavam o peito da mãe como
se fosse ‘o banquete dos deuses”... Se já superaram tal situação
desconfortável, nada mais justo que oferecer em troca o mundo dos livros.
Em, http://www.alobebe.com.br/site/revista/reportagem.asp?Texto=379:
“(...) a
literatura pode fazer parte da vida da criança desde muito cedo. Os pequenos
devem ser apresentados ao universo vocabular ainda bebês, por meio de histórias
contadas pelos pais, por exemplo. Para o escritor, não há uma idade exata para
começar a ler, a aproximação só precisa ocorrer naturalmente, sem imposições.
“Tudo que é prazeroso e é imposto é uma violência”, refere-se à obrigação da
leitura tanto pelos pais como pelas escolas. Mas Pedro defende que haja
mediadores entre a criança e o livro, como pais e professores. O escritor,
renomado entre o público infanto-juvenil, reforça que a literatura oferece
acesso a outros universos que tornam o leitor mais bem preparado, sobretudo
emocionalmente.
Para
tanto proponho que alguns cuidados sejam tomados antes do contato com o livro
propriamente dito.
De acordo com Bandeira,
“para a criança que ainda não é alfabetizada, prender a ter feto pelo livro é
ais importante que entender o conteúdo”.
1. Não inicie o processo
do amassar e rasgar com revistas: o adulto consegue
entender a diferença entre uma folha em branco, uma revista e um livro, mas a
criança não. Se iniciarmos oferecendo revistas para amassarem e rasgarem será
conturbado estabelecer vínculo afetivo com o livro. Rasgar e amassar são ações importantes,
mas façamos com folhas que não tenham letras, nem números, nem figuras... Que
não rasguem e/ou amassem produções textuais, sejam elas quais forem.
2. Fichas ilustrativas
plastificadas: confeccionaremos fichas ilustrativas
com objetos e pessoas do convívio da criança. Fotos da família são um excelente
aliado! Organizaremos um local para a apresentação e contato com essas fichas.
Não com brinquedos espalhados, rádio ou tv ligados. O ambiente deve estar
silencioso, pois é o momento de leitura de mundo dos bebês.
3. Figura e objeto:
ainda utilizando fichas ilustrativas apresentaremos, por exemplo, a figura de
uma chupeta e uma chupeta; a figura de uma bola e uma bola. As crianças
iniciaram o trabalho visual e tátil. Vê chupeta na figura, coloca na boca e não
sente a mesma sensação, pois não é real; encontra satisfação ao colocar o
objeto “chupeta” na boca. Ressalto mais uma vez que o registro fotográfico é um
excelente aliado.
4. Fantoches e dedoches:
nada mais são que personagens. Apresentaremos os fantoches e dedoches,
deixaremos que os toquem, levem a boca, explorem; porém, não misturando com
bonecas. São fantoches, personagens de inúmeras histórias e também merecem um
ambiente tranqüilo para o manuseio.
5. Roda de conversa e música
com fantoches e dedoches: é a forma com que
damos vida às personagens. Deixam de ser bonecos no chão e passam a falar e
cantar com os bebês. Rimas e músicas que explorem os nomes das crianças podem
auxiliar nas rodas cantadas. A imagem de personagens estará sendo inserida ao
mundo dos bebês.
6. Livros de banho:
e aí o contato com o livro propriamente dito. Daremos preferência à histórias
onde os personagem possam interagir com os bebês. Exemplo: história com pato
ilustrado; acrescentaremos à banheira um pato de borracha. Assim como o
trabalho com as fichas os bebês perceberão que a sensação de colocar o pato na
boca é diferente de colocar o livro, mesmo sendo de borracha.
7. Livros com dedoches
integrados: muitos são os livros infantis que apresentam
dedoches acoplados. Estamos acrescentando aos poucos tipos diversificados de
livros. Já possuem páginas, logo, uma seqüência lógica de fatos, contudo, o
dedoche é um elemento lúdico concreto que representa a personagem da história.
8. Livros de pano, livro
travesseiro: ainda um material resistente, não
amassa ou rasga facilmente. Desta forma, a fase oral pela qual a criança nesta
faixa etária passa não impedirá o manuseio com os livros.
9. Livros com folhas de
papelão reforçado e se possível plastificadas:
estes livros podem conter imãs, velcro, bolsos, enfim, a criança deve e pode
interagir com a história sem danificar o material. Não adianta entregar um
belíssimo livro repleto de dobraduras que saltam aos olhos; é comum que eles
queiram pegar, puxar, morder... Incentivamos a ação: sentar, rolar, engatinhar,
andar, pegar, puxar, segurar colher, jogar bolas..., contudo, estamos
estabelecendo vínculo afetivo entre a criança e o livro, neste caso, o material
é de suma importância.
10. Livros medianos com
ilustrações simples: passada a euforia do contato com
as páginas que se movimentam, chegou o momento do contato com o livro simples:
capa, ilustrações e páginas. Não podemos afirmar que não o levarão a boca, mas
certamente, algum deles terá a reação de colocar no colo e virar as páginas.
11. Revistas:
e agora as revistas! As folhas são mais maleáveis e facilmente serão amassadas.
Cabe a professora intervir para que sejam mínimos os danos, pois, poderia ser
um livro!
12. Livros:
de formas e histórias variadas. Lembrando que é sempre necessária a organização
do local e intervenção para conservação.
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