domingo, 26 de fevereiro de 2012

BB que lê !!!


E assim tudo começa...



            Há tempos creches de todo Brasil já estão equipadas com profissionais qualificados, seja pela política local ou pelos benefícios que a formação possa trazer. Certo é que são poucos os lugares onde crianças entre 0 e 3 anos são atendidas apenas por pessoas sem formação.

            Porém, muito se fala sobre o papel destes profissionais: educar, cuidar? – Sim! As duas coisas... Educamos, pois estamos numa escola e o papel de todo professor é desenvolver o cognitivo progressivamente e não há maneiras de dissociação entre o social e o educacional; ambos conceitos estão unificados. O professor deve preocupar-se com a integridade das tarefas e esquecer a integridade do aluno? Social e educacional: indissociável.

            Berçário é local de crianças de 0 a 2 anos (aproximadamente), tendo como base a educação municipal.

            Sendo uma classe formada por 12 crianças e 4 pedagogas é comum pensar que entre o indissociável haja livros, literatura.

            Bebês com 6 meses podem manusear livros? Quanto tempo o material durará?

            São apenas duas das infinitas perguntas que ao longo da carreira me fiz e ouvi colegas de trabalho fazendo, sobretudo, por professoras que estavam trabalhando pela primeira vez em berçários: “o que vou dar à essas crianças?”; “quais atividades elas conseguirão fazer?”, “ o que apresento aos pais no dia da reunião?”

            |O modelo de educação está vinculado a atividades registradas em folhas, guardadas numa pasta ou expostas na parede, porém, é assim que devemos trabalhar no berçário mesmo entendendo que muito maior que a ânsia de “aprender a ler e escrever” está a necessidade de romper barreiras e estabelecer vínculos?

            Falo berçário, porem, devo ser direta às crianças de 0 a 2 anos aproximadamente, pois aos 3 anos já é comum a comunicação verbal. Não formando frases complexas, mas a história oralizada  pela professora já faz parte da rotina.

            Então, como trabalhar com livros numa turma que ainda não tem maturidade para ouvir e compreender histórias, mesmo as mais simples?

            Parto do ponto em que quando iniciaram sua vida escolar muitas nunca tinham ficado tanto tempo longe de suas famílias, algumas ainda sugavam o peito da mãe como se fosse ‘o banquete dos deuses”... Se já superaram tal situação desconfortável, nada mais justo que oferecer em troca o mundo dos livros.

Em,  http://www.alobebe.com.br/site/revista/reportagem.asp?Texto=379:

“(...) a literatura pode fazer parte da vida da criança desde muito cedo. Os pequenos devem ser apresentados ao universo vocabular ainda bebês, por meio de histórias contadas pelos pais, por exemplo. Para o escritor, não há uma idade exata para começar a ler, a aproximação só precisa ocorrer naturalmente, sem imposições. “Tudo que é prazeroso e é imposto é uma violência”, refere-se à obrigação da leitura tanto pelos pais como pelas escolas. Mas Pedro defende que haja mediadores entre a criança e o livro, como pais e professores. O escritor, renomado entre o público infanto-juvenil, reforça que a literatura oferece acesso a outros universos que tornam o leitor mais bem preparado, sobretudo emocionalmente.



            Para tanto proponho que alguns cuidados sejam tomados antes do contato com o livro propriamente dito.


1.1  Sujestões

      Descrevo abaixo as etapas que observarei com o intuito de desenvolver no bebê de 0 a 2 anos o afeto para com o livro.

De acordo com Bandeira, “para a criança que ainda não é alfabetizada, prender a ter feto pelo livro é ais importante que entender o conteúdo”.



1.      Não inicie o processo do amassar e rasgar com revistas: o adulto consegue entender a diferença entre uma folha em branco, uma revista e um livro, mas a criança não. Se iniciarmos oferecendo revistas para amassarem e rasgarem será conturbado estabelecer vínculo afetivo com o livro. Rasgar e amassar são ações importantes, mas façamos com folhas que não tenham letras, nem números, nem figuras... Que não rasguem e/ou amassem produções textuais, sejam elas quais forem.


2.      Fichas ilustrativas plastificadas: confeccionaremos fichas ilustrativas com objetos e pessoas do convívio da criança. Fotos da família são um excelente aliado! Organizaremos um local para a apresentação e contato com essas fichas. Não com brinquedos espalhados, rádio ou tv ligados. O ambiente deve estar silencioso, pois é o momento de leitura de mundo dos bebês.


3.      Figura e objeto: ainda utilizando fichas ilustrativas apresentaremos, por exemplo, a figura de uma chupeta e uma chupeta; a figura de uma bola e uma bola. As crianças iniciaram o trabalho visual e tátil. Vê chupeta na figura, coloca na boca e não sente a mesma sensação, pois não é real; encontra satisfação ao colocar o objeto “chupeta” na boca. Ressalto mais uma vez que o registro fotográfico é um excelente aliado.


4.      Fantoches e dedoches: nada mais são que personagens. Apresentaremos os fantoches e dedoches, deixaremos que os toquem, levem a boca, explorem; porém, não misturando com bonecas. São fantoches, personagens de inúmeras histórias e também merecem um ambiente tranqüilo para o manuseio.

5.      Roda de conversa e música com fantoches e dedoches: é a forma com que damos vida às personagens. Deixam de ser bonecos no chão e passam a falar e cantar com os bebês. Rimas e músicas que explorem os nomes das crianças podem auxiliar nas rodas cantadas. A imagem de personagens estará sendo inserida ao mundo dos bebês.

6.      Livros de banho: e aí o contato com o livro propriamente dito. Daremos preferência à histórias onde os personagem possam interagir com os bebês. Exemplo: história com pato ilustrado; acrescentaremos à banheira um pato de borracha. Assim como o trabalho com as fichas os bebês perceberão que a sensação de colocar o pato na boca é diferente de colocar o livro, mesmo sendo de borracha.

7.      Livros com dedoches integrados: muitos são os livros infantis que apresentam dedoches acoplados. Estamos acrescentando aos poucos tipos diversificados de livros. Já possuem páginas, logo, uma seqüência lógica de fatos, contudo, o dedoche é um elemento lúdico concreto que representa a personagem da história.

8.      Livros de pano, livro travesseiro: ainda um material resistente, não amassa ou rasga facilmente. Desta forma, a fase oral pela qual a criança nesta faixa etária passa não impedirá o manuseio com os livros.


9.      Livros com folhas de papelão reforçado e se possível plastificadas: estes livros podem conter imãs, velcro, bolsos, enfim, a criança deve e pode interagir com a história sem danificar o material. Não adianta entregar um belíssimo livro repleto de dobraduras que saltam aos olhos; é comum que eles queiram pegar, puxar, morder... Incentivamos a ação: sentar, rolar, engatinhar, andar, pegar, puxar, segurar colher, jogar bolas..., contudo, estamos estabelecendo vínculo afetivo entre a criança e o livro, neste caso, o material é de suma importância.

10.  Livros medianos com ilustrações simples: passada a euforia do contato com as páginas que se movimentam, chegou o momento do contato com o livro simples: capa, ilustrações e páginas. Não podemos afirmar que não o levarão a boca, mas certamente, algum deles terá a reação de colocar no colo e virar as páginas.

11.  Revistas: e agora as revistas! As folhas são mais maleáveis e facilmente serão amassadas. Cabe a professora intervir para que sejam mínimos os danos, pois, poderia ser um livro!

12.  Livros: de formas e histórias variadas. Lembrando que é sempre necessária a organização do local e intervenção para conservação.


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